Fri. Dec 6th, 2019
Arquivo pessoal

OS MEUS 30 E POUCOS ANOS E A ITÁLIA

Já li muitos textos sobre a “Mulher que viaja sozinha”, “Como ser Mulher vivendo em Londres, Malta, Bélgica” e assim vai. Todos os textos que abordam este assunto valem a pena serem lidos, pois não importa se estamos vivendo o ano de 2018: algumas pessoas, culturas ou até conhecidos nossos, podem ter o tal machismo.

Ser mulher sempre foi e acredito sempre será um desafio: seja na busca pelo bom emprego, seja no preconceito em cargos de direção, seja nas nossas viagens sozinhas. Mas acima disso, existe a questão: como desafiar esse mundo depois dos 30 anos e solteira? É pessoal, acreditem: não são somente nas festas da família que te cobram o marido.

Desde o dia que desembarquei na Itália (sem jamais ter pensado em algo assim), tenho escutado perguntas e comentários dos mais estranhos possíveis, pelo simples fato de ter completado os 36 anos e nunca ter casado.

Nos primeiros dias, levei aquele susto, porém, no entusiasmo de estar conhecendo um novo País, eu não dei importância. Depois, em alguns lugares que eu ia e começava a conversar, um italiano ou italiana faziam a “famosa pergunta” e quando escutavam a resposta indagavam com olhos arregalados:

– Nunca casou, mas por quê?

Francamente meus amados “irmãos italianos”, são tantas as possibilidades de respostas: posso não ter casado porque “não tive tempo”, ou porque fui largada no altar, ou porque meu amor da adolescência casou com outra. Posso simplesmente estar solteira porque estou 100% focada em realizar um grande projeto, o qual não inclui um marido e filhos por enquanto, ou simplesmente porque não apareceu a pessoa certa!

Talvez nas minhas respostas posso parecer um tanto grosseira, mas como ser gentil diante dos olhos arregalados ao fazerem esta pergunta? Vou deixar uma coisa clara: a pergunta é um tanto quanto normal, mas a surpresa que a minha resposta causava era intrigante.

Nesse tempo em que estou morando na Itália, tentei observar as italianas. A maioria delas casa entre os 25 e 30 anos e aos 35 estão com seus maridos e filhos. Algumas, divorciadas e com filhos, porém já ultrapassarm o status: solteira.

Acredito que muitas mulheres podem ter passado por situações semelhantes as minhas nesse mundo afora e então vem na minha cabeça: Ainda carregamos conceitos e preconceitos de como deve ser uma “vida normal”. Martha Medeiros já abordou algumas coisas a respeito da “Vida Resolvida” em um dos seus melhores textos. Aplausos para ela!

Talvez a busca pela ascensão profissional nos deixa tão ocupadas que por algum momento da nossa vida esquecemos de dedicarmos nosso tempo às saídas, aos drinques e aos jantares românticos, consequentemente o casamento vai ficando ainda mais distante, mas ele não deixa de fazer parte do nosso sonho. Leia mais em A MULHER NA SOCIEDADE ESPANHOLA. CLIQUE AQUI.

Não faço parte de nenhuma ONG feminista, ou movimento do gênero, até acredito que não somos iguais aos homens e que ainda somos “um sexo frágil” em muitos aspectos. Agora, moldar um modelo de vida baseado no que as pessoas acreditam ser o certo: aí já passa dos limites!

Entretanto, posso ressaltar que independente de ser solteira ou não, a Itália é um País que em podemos nos sentir seguras a qualquer momento do dia e da noite também. Claro que temos sempre que estarmos atentas aos lugares que frequentamos se estamos sozinhas, porém em nenhum momento vivendo aqui, me senti “em perigo”. Acredito que este é um ponto de extrema importância para nós.

No interior da Itália, o machismo é tão presente que nos cafés e nos aperitivos é comum você ver apenas as mesas de homens. Batendo papo, tomando seus belos vinhos italianos, o assunto são os mais diversos: política, emprego, piadas e por aí vai. E, caso eles veem uma mesa com uma, duas ou várias mulheres sozinhas, o assunto será este. Na maioria das vezes, essa “mesa florida” não é de mulheres italianas.

A Itália com a sua beleza e sua magia é inquestionável. Reconhecida por ser um País tradicional, já era de se esperar que situações assim seriam muito mais corriqueiras do que o esperado. Entretanto, ao olhar para trás chego a suspirar sorrindo, afinal, alguns momentos vividos podem resultar em belos textos! O fato de não ter casado aos 36 anos foi um deles! Salute!

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